12 livros para estudar a história do movimento LGBTQIA+

O Papa Francisco falou, pela primeira vez, em defesa do direito do casamento civil entre duas pessoas do mesmo sexo na última quarta-feira (21). O pronunciamento causou polêmica no Vaticano e deixou a comunidade LGBTQIA+ esperançosa por uma nova postura da igreja Católica.

“Os homossexuais têm o direito de ter uma família, pois são filhos de Deus. Você não pode expulsar alguém de uma família. O que temos que ter é uma lei de convivência civil. Dessa forma, eles são legalmente cobertos. Eu lutei por isso”. A fala é de uma reportagem do ano passado, mas que só veio a público agora, no documentário “Francisco”, exibido no Festival de Cinema de Roma.

A declaração do Papa, que é conhecido por suas atitudes consideradas progressistas para a Igreja Católica, reacendeu a discussão a respeito da aceitação da homossexualidade no meio católico. Historicamente, o Cristianismo prega o repúdio a relacionamentos entre casais do mesmo sexo e, por séculos, castiga e exclui essa camada da sociedade.

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A história do movimento LGBTQI+ é repleta de atos, movimentos e lutas contra a discriminação, incluindo a advinda das igrejas. Lutas que, por homofobia ou simplesmente falta de visibilidade, acabam ficando às margens da história. Para isso, o GUIA convidou Felipe Cabral, do perfil Eu Leio LGBT no Instagram, para sugerir 12 obras que servem como porta de entrada para estudar a história do movimento LGBT+ no Brasil.

1. “Devassos no paraíso: A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade”, de João Silvério Trevisan

<span class="hidden">–</span>Editora Objetiva/Divulgação

Sinopse: Num diálogo com diversos campos de conhecimento e expressões de nossa cultura — cinema, teatro, política, história, medicina, psicologia, direito, literatura, artes plásticas etc. —, João Silvério Trevisan realiza um estudo pioneiro sobre a homoafetividade no Brasil. Considerado uma referência, Devassos no Paraíso atravessou gerações, provocou intensa interlocução com a comunidade LGBT e influenciou desde ações emancipatórias até pesquisas sobre gênero e sexualidade. Agora, esse monumental trabalho chega à sua quarta edição trazendo novos capítulos, imagens e texto atualizado sobre as lutas e conquistas dos direitos LGBT ocorridas no século XXI.

2. “História do Movimento LGBT no Brasil”, de James N. Green, Renan Quinalha, Marcio Caetano e Marisa Fernandes

<span class="hidden">–</span>Editora Alameda/Divulgação

Sinopse: O longo processo de transição política desde a ditadura no Brasil foi marcado por uma crescente busca de visibilidade e cidadania. Diversos movimentos sociais e organizações da sociedade civil desempenharam um papel fundamental na mudança de regime político e na elaboração da nova Constituição, lutando por liberdades públicas, participação política, justiça econômica e reconhecimento de suas identidades. Desde então, passaram-se 40 anos de lutas e de história. O movimento homossexual tornou-se LGBT. Proliferaram-se os coletivos e grupos organizados, as identidades, multiplicaram-se as formas de luta, conquistaram-se direitos, construíram-se políticas públicas, realizaram-se os maiores atos de rua desde as Diretas Já com as Paradas do Orgulho LGBT e ocuparam-se as redes sociais com novos ativismos. O livro busca reconstruir alguns temas e momentos privilegiados da história de quatro décadas deste importante ator político do Brasil contemporâneo, atentando para a diversidade de sua composição e de perspectivas no interior do movimento. Pretende, assim, contribuir para traçar um panorama interdisciplinar dos 40 anos do movimento LGBT brasileiro.

3. “Ditadura e homossexualidades: Repressão, Resistência e a Busca da Verdade”, organizado por James N. Green e Renan Quinalha

<span class="hidden">–</span>EdUFSCar/Divulgação

Sinopse: O objetivo central do livro é contribuir para uma análise interdisciplinar das relações entre a ditadura brasileira (1964-1985) e as várias formas de homossexualidade, hoje mais apuradas na sigla LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, intersexo e assexual). Em especial, pretende-se discutir de que maneiras a ditadura dificultou tanto o modo de vida dessa população como a afirmação do movimento LGBTQIA+ no Brasil durante os anos 1960, 70 e 80. Outro ponto importante da obra são as ações de resistência empreendidas por esses segmentos sociais que, ao mesmo tempo em que foram alvo privilegiado das políticas de repressão e de controle, acabaram se constituindo como atores fundamentais da redemocratização brasileira. Essa análise dos cruzamentos entre a ditadura e as temáticas ligadas ao universo das homossexualidades torna-se ainda mais importante considerando o momento atualmente vivido em nosso país, no qual diversas Comissões da Verdade estão investigando as graves violações aos direitos humanos praticadas durante o governo autoritário.

4. “Além do Carnaval”, de James N. Green

<span class="hidden">–</span>Editora Unesp/Reprodução

Sinopse: Obra pioneira, Além do carnaval examina a realidade social e cultural da homossexualidade masculina no Brasil ao longo do século XX. James Green questiona a visão estereotipada de que a expressão desinibida e licenciosa do comportamento homossexual durante o carnaval comprova a asserção de que a sociedade brasileira tolera a homossexualidade e a bissexualidade na vida cotidiana. Sustentado por ampla pesquisa e sólida erudição, a obra traz uma contribuição inestimável a uma área negligenciada da história social brasileira.

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5. “Stonewall 40 + o que no Brasil?”, organizado por Leandro Colling

<span class="hidden">–</span>EDUFBA/Divulgação

Sinopse: a obra integra a Coleção Cult, do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, publicada pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA). Organizado por Leandro Colling, reúne a transcrição de mesas redondas e artigos apresentados por autores em evento promovido pelo Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS). O encontro teve como objetivo discutir e avaliar o movimento LGBT no Brasil, promovendo um diálogo entre os estudos acadêmicos e a comunidade, abordando as políticas públicas e identitárias desenvolvidas após a rebelião de Stonewall, um conjunto de conflitos iniciado em junho de 1969 contra os maus tratos da polícia de Nova York e a favor dos direitos civis LGBT.

6. “O Fim do Armário: Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans no Século XXI”, de Bruno Bimbi

<span class="hidden">–</span>Editora Garamond/Divulgação

Sinopse: Um livro jornalístico fantástico, que nos conta uma série de histórias fascinantes e estremecedoras que a maioria dos leitores desconhece. Bruno Bimbi relata, com graça e indignação, os dramas e as batalhas das pessoas LGBTQIA+ pela aceitação social e a conquista de seus direitos. Sem complacência, mas sem perder a ternura, o livro denuncia com palavras fortes todas as iniciativas homofóbicas, e dá nomes aos bois: dessas denúncias não escapam políticos, pastores evangélicos, setores da imprensa e da opinião pública, artistas e apresentadores de TV – nem sequer o papa Francisco, que quando era arcebispo de Buenos Aires foi o principal adversário da luta pelo casamento gay na Argentina, da qual Bruno Bimbi foi um dos líderes.

7. “Existe Índio Gay? A Colonização das Sexualidades Indígenas no Brasil”, de Estevão R. Fernandes

<span class="hidden">–</span>Editora Prismas/Divulgação

Sinopse: Este livro é uma tentativa de entender o percurso por trás da pergunta “existe índio gay?”, tantas vezes ouvida durante a ampla pesquisa feita pelo autor, focando na colonização das sexualidades indígenas na história brasileira. O livro, voltado também para não especialistas, busca fazer com que pessoas interessadas no tema possam pensar questões relacionadas às origens da homofobia e do racismo no Brasil. Uma das coisas demonstradas aqui é como os vários povos indígenas no país aceitavam, sem maiores problemas, um conjunto de práticas às quais o colonizador viria a se opor por não se enquadrarem em seus modelos de sexualidade, moral, religiosidade ou ciência. Em resumo: a homofobia chegou nas caravelas e por aqui ficou. Assim, a colonização impôs a esses povos um sistema moral no qual a sociedade colonizadora se baseava – e ainda se baseia. Nesse sentido, a sexualidade possui um papel fundamental para a compreensão desses mecanismos de dominação sobre vida cotidiana, do imaginário e da memória. Dito isso, fica claro que esse livro não é apenas sobre homossexualidade indígena, mas sobre o que podemos aprender com o percurso que levou à heterossexualização forçada desses povos.

8. “(In)visibilidade Vigilante: Representações midiáticas da maior parada gay do planeta”, de Steven Butterman

<span class="hidden">–</span>Editora Inversos/Divulgação

Sinopse: Primeiro lugar do ranking mundial de assassinatos de homossexuais, concentrando 44% do total de mortes no mundo, o Brasil é, ao mesmo tempo, o país onde acontece a maior Parada do Orgulho LGBTQIA+. É nesse contexto contraditório que o diretor do Programa de Estudos de Gênero e Sexualidade na Universidade de Miami, Steve Butterman, analisa o fenômeno do evento de afirmação em defesa da diversidade sexual no país, como é transmitido pela mídia, sua relação com o povo, e contradições, tanto da mídia quanto da organização da Parada. Conduzindo o estudo a partir de uma análise da Parada LGBTQIA+ entre 1997 e 2011, o professor usa exemplo de reportagens, desconstruindo as frases e apontando as intencionalidades e os direcionamentos do discurso que tentavam descaracterizar o evento, especialmente nos anos iniciais. Contrário a essa primeira recepção hostil, o movimento cresceu exponencialmente nos anos seguintes, paralelo ao aumento dos casos de violência contra a população LGBTQIA+. A oposição desses dois fatos leva Butterman a questionar os resultados do evento, já que, apesar do notável crescimento de público e aceitação ao longo dos anos, mesmo em um país machista e conservador, a Parada não tem sido bem-sucedida em pautar mudanças sociais que favoreçam a minoria que representa.

9. “Abaixo do Equador” de Richard Parker

<span class="hidden">–</span>Editora Record/Divulgação

Sinopse: a obra desmistifica diversas questões: numa sociedade famosa pelo machismo, ser homossexual é aceito ou apenas tolerado? A comunidade gay brasileira é unida? Como os homossexuais masculinos se veem? Como a aids afetou a comunidade? Richard Parker é professor assistente de Saúde Pública na Divisão de Ciências Médico-Sociais e Psiquiatria da Universidade de Columbia. É, ainda, diretor assistente do Centro de Estudos Comportamentais e Clínicos de HIV do Instituto de Psiquiatria do Estado de Nova York.

10. “Cidadania Trans: o Acesso à Cidadania por Travestis e Transexuais no Brasil”, de Caio Benevides Pedra

<span class="hidden">–</span>Appris Editora/Divulgação

Sinopse: A cidadania é um direito constitucionalmente assegurado pelo ordenamento brasileiro, mas que nem todos os grupos sociais conseguem exercer. Em virtude das mais diversas exclusões vivenciadas, algumas minorias têm experiências muito específicas, como é o caso da população LGBT. Este livro pretende conhecer e analisar o contexto atualizado das exclusões vivenciadas por travestis e transexuais no Brasil, observar a atuação do movimento social na proposição e manutenção do debate dessas pautas e entender de que forma o Poder Público tem agido para combater as desigualdades verificadas, que impedem que essas pessoas sejam tratadas com igualdade no que diz respeito ao acesso aos direitos previstos a todos os cidadãos.

11. “Imprensa gay no Brasil”, de Flávia Péret

<span class="hidden">–</span>PubliFolha/Divulgação

Sinopse: o livro reconstrói quase meio século de história da imprensa homossexual no país. Apenas nos anos 1960, revistas abertamente homossexuais começaram a ser feitas e distribuídas de mão em mão, em círculos restritos do país. Em 1978, durante o governo Ernesto Geisel, surgiu Lampião da Esquina, primeiro jornal gay de circulação nacional, que duraria até 1981. Nas décadas seguintes, enquanto os grupos de defesa dos direitos de gays e lésbicas se consolidavam, jornais, revistas e panfletos se espalharam pelo Brasil. Vencedor do concurso Folha Memória, Programa de Orientação de Pesquisa em História do Jornalismo Brasileiro (Folha/Pfizer), o livro da pesquisadora e jornalista Flávia Péret analisa os impasses e desafios enfrentados por um grupo em constante luta pela livre expressão de sua sexualidade. “Imprensa gay no Brasil” traz ainda depoimentos de Aguinaldo Silva e João Silvério Trevisan a respeito da criação de Lampião da Esquina e do jornalismo voltado a homossexuais.

12. “Políticas públicas LGBT e construção democrática no Brasil”, de Cleyton Feitosa

<span class="hidden">–</span>Appris Editora/Divulgação

Sinopse: Políticas públicas LGBT e construção democrática no Brasil é uma obra fundamental para os chamados Estudos LGBT, e auxilia professores, estudantes e pesquisadores, além de ativistas e gestores. Seu diferencial consiste no profundo debate acerca das políticas públicas de direitos humanos voltadas para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – analisando um caso concreto, notadamente o Centro de Referência LGBT de Pernambuco – em articulação com os recentes debates teóricos sobre a construção democrática e os projetos políticos em vigor no Brasil.

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12 livros para estudar a história do movimento LGBTQIA+ publicado primeiro em https://guiadoestudante.abril.com.br

Autor: andreialisboarosa

Eu sou a Andreia Lisboa, trabalhei durante muito tempo como redatora de textos para revistas e revisão de textos para jornais. Estou intensamente ligada ao Marketing Digital e sua atuação no meio online. Sou blogueira a algum tempo e aprendi que as pessoas buscam por conteúdo de qualidade, por isso minha especialidade no Marketing Digital é escrever conteúdos qualificados, otimizados em SEO e que possam ajudar as pessoas. Meu objetivo é compartilhar com você experiências que possam te ajudar a ter sucesso trabalhando a partir de casa. Sim, o Home Office é a profissão do futuro. Além disso, gosto bastante de viajar e conhecer novos países e entender mais sobre suas culturas.

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