Peça ’57 Minutos’ serve ao público cachaça e pão de queijo

A união entre”Ulisses”, de James Joyce, e o hip hop de Criolo, Edgar e Russo Passapusso é a base do solo “57 minutos – o tempo que dura esta peça”, do premiado artista mineiro Anderson Moreira Sales. Indicada ao Prêmio Aplauso Brasil na categoria Dramaturgia, a montagem volta em cartaz no Espaço Parlapatões entre 12 de setembro e 4 de outubro, às quintas e sextas, às 21h, com ingressos até R$ 30.

Indicado ao Aplauso Brasil, espetáculo “57 minutos – o tempo que dura esta peça” serve ao público cachaça e pão de queijo

Em ’57 minutos’, o público é convidado a acompanhar um dia na vida de um morador do subúrbio de uma cidade grande que sonha em ser bailarino e sai de casa com o objetivo de cumprir seus compromissos e retornar ao lar. Além de discutir questões sobre o Brasil contemporâneo, como violência, intolerância e preconceito, o espetáculo aborda a construção de uma identidade masculina mais frágil e delicada. Durante a peça, os espectadores podem desfrutar de cachaça e pão de queijo.

Indicado ao Aplauso Brasil, espetáculo “57 minutos – o tempo que dura esta peça” volta em cartaz no Parlapatões

A montagem não é uma adaptação de “Ulisses”, mas se apropria de seu método de criação – Joyce escreveu cada capítulo a partir de elementos referenciais buscados na “Odisseia”, de Homero. Sales traçou paralelos entre os personagens clássicos e a saga do protagonista de ’57 minutos’. Assim, temas como a crise política, os protestos nas ruas, os problemas no transporte público, a violência policial e estatal e os valores tradicionais em contraposição às liberdades individuais também aparecem em sua obra.

O cenário é composto por um balcão que abriga fogão, forno e outros utensílios que permitem o preparo de uma massa de pão de queijo. O preparo é como um acordo de troca do alimento pela atenção do público. Mas a ação de expor os ingredientes em seu formato original e uni-los para criar um outro alimento também passa por essa ideia de transformação. As camadas se constroem aos poucos. A iluminação também caminha junto com a mudança da narrativa a cada cena, inclusive a velocidade e o ritmo do texto estão em vários momentos em sintonia com o desenho da luz. Em certos pontos, ela assume funções diretas, presentificando personagens.

O primeiro trabalho escrito, dirigido e atuado por Anderson foi “Lujin”, livremente inspirado no livro “A Defesa Lujin”, do russo Vladimir Nabokov. O espetáculo estreou em Porto Alegre em 2015, e ganhou o Prêmio Açorianos, a principal premiação gaúcha, na categoria de melhor dramaturgia.

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